Resenha: O Orfanato da Srta Peregrine para Crianças Peculiares - Ransom Riggs

Sinopse: Jacob Portman cresceu ouvindo as histórias fantásticas que o avô, Abe, contava. Na época da Segunda Guerra Mundial, o avô havia morado numa ilha remota, num casarão que funcionava como abrigo para crianças. Lá, Abe convivera com uma menina que levitava, uma garota que produzia fogo com as mãos, um menino invisível… Entretanto, todas essas histórias foram perdendo o encanto à medida que Jacob crescia. Até que, aos dezesseis anos, tudo volta à tona para se provar real. Abalado com a morte misteriosa do avô, Jacob decide ir à tal ilha para tentar entender as últimas palavras de Abe: “Encontre a ave. Na fenda. Do outro lado do túmulo do velho.” Ele encontra o casarão em ruínas, mas, ao passar por um túnel subterrâneo, o menino se vê em outra época, décadas atrás: em 3 setembro de 1940. Nesse lugar protegido no tempo, ele conhece crianças com habilidades peculiares e encontra as respostas para todas as suas perguntas. Mas o fascínio inicial logo se transforma em uma luta para sobreviver e salvar a vida de seus novos amigos.

E dessa vez o livro escolhido é O Orfanato da Srta Peregrine para Crianças Peculiares, do autor Ransom Riggs, publicado no Brasil pela Editora LeyaConfesso que o que mais me chamou atenção no livro foi a capa e as imagens de dentro dele, das quais eu senti um pouco de medo após folhear o livro um pouco (uhhh suspense, aventura, sobrenatural... né?!) e, também, a crítica atrás da capa de ninguém menos que Tim Burton. Pensei: “certamente um livro que eu irei gostar”. Bom, não foi bem assim.

Jacob Portman é um garoto aparentemente normal que mora na Flórida com seus pais e tem uma relação ótima com seu avô, Abe Portman. Ele estuda e trabalha na rede de supermercados da qual sua família é dona, coisa que ele não gosta tanto, mas trabalha porque é praticamente obrigado. Tem poucos – talvez um só – amigos e não tem muita história pra contar, ao contrário do seu avô, que passava horas e horas do dia dele contando suas fantásticas histórias sobre o orfanato em que viveu quando era criança, sobre as pessoas desse lugar, que tinham dons especiais, e sobre os monstros contra os quais teve que lutar. Durante muito tempo da infância de Jacob, ele realmente acreditou que essas histórias pudessem ser reais, mas ao crescer seus pais e familiares começaram a desacreditar o avô, sempre falando que ele provavelmente inventara todas essas histórias para esquecer e lidar com os ferimentos psicológicos que a guerra lhe trouxera.

Seu avô Abe foi morto no quintal de casa pelo que diziam ser cães selvagens. O pior para Jacob foi ter chegado à casa de seu avô no mesmo dia e ter conseguido ouvir as últimas palavras dele. E ele dizia para procurar a Ave, que a Ave lhe explicaria tudo e mais algumas outras coisas. Depois de muitas consultas com Dr. Golan, psiquiatra de Jacob, que aparentemente estava fazendo tudo ao seu alcance para que o menino superasse todo o acontecimento, Jacob descobre a pequena ilha no País de Gales, onde era o orfanato que seu avô aparentemente morou quando criança. E junto com o Dr. Golan, decide que o melhor a fazer é visitar o lugar.


Junto com seu pai, Jacob parte numa aventura para a ilha à procura do orfanato e – talvez – de pessoas que pudessem ajudá-lo a descobrir tudo o que podia sobre as aventuras do seu avô e sobre a infância do mesmo. A ilha é bem pequena e não sobraram muitas pessoas a quem recorrer, mas Jacob dá um jeito de encontrar o lugar onde antes era o orfanato e se vê envolvido demais no cenário em que ele criou para aquele lugar. Ele descobre que o orfanato foi atingido por uma bomba na guerra e que tudo lá foi destruído, juntamente com as pessoas que habitavam o lugar.

Jacob visita as ruínas do orfanato algumas vezes e procura por alguma coisa nos escombros que pudessem lhe ser útil. Em uma das visitas, Jacob encontra um baú de fotos e reconhece imediatamente as crianças e pessoas daquelas fotos: são as mesmas das fotos que seu avô lhe mostrava quando era criança, quando contava sobre o lugar. Fixado nas fotos, Jacob toma um susto quando um barulho nas ruínas da casa lhe faz pular. Ele sai a procura de quem fez o barulho com a lanterna do celular ligada, e ao apontar para um local escuro, a surpresa: a mesma menina que ele vira a pouco nas fotos, com as mãos em chamas. Por alguns instantes, Jacob pensou estar louco e sua mente estar inventando tudo isso por causa da coincidência de ter achado o baú com as fotos iguais a do seu avô, mas ao sair das ruínas e voltar ao hotel em que ele e seu pai estavam hospedados, Jacob tem uma surpresa gigantesca: ninguém ali o reconhece, nem mesmo o dono do hotel é o mesmo. Confuso, Jacob se vê numa enrascada da qual a mesma menina da foto, a que ele viu quando estava lá, o ajuda a sair. E aí começa a grande aventura de Jacob Portman num mundo onde ele não acreditara que existia, mas um mundo onde ele pertencia, assim como seu avô.


O problema, a nível de narrativa, é que os capítulos são muito longos (11 capítulos em 332 páginas) e as crianças peculiares só vão aparecer lá pelo final do capítulo 5. Até lá você tem que conviver com nosso protagonista, que é um dos adolescentes mais pentelhos, inseguros e chatos da história da literatura. O avô dele é minimamente interessante, mas morre bem rapidinho.

Quando o Orfanato finalmente aparece, as coisas começam a ficar estranhas. Os personagens não convencem e não tem lá muito carisma, a srta. Peregrine tem a maravilhosa capacidade de não fazer coisa nenhuma durante a história inteira. E nada continua acontecendo durante toda a história. (Pausa para rir, porque chorar não adiantou.)

Nos capítulos finais, confirmei algo que já vinha me incomodando desde a metade do livro: o autor usa o conceito de fenda no tempo de forma muito displicente e irresponsável, o que faz o último e o final do penúltimo capítulo uma bagunça bem estranha.

A nível de técnica, se é que possa dizer dessa maneira, o problema é o ritmo. Tem parágrafos inteiros que poderiam ser cortados e não fariam a menor diferença para a trama, e tem personagens que também não fazem a menor falta. A questão temporal das crianças que são velhas, mas parecem crianças e agem como tal incomoda bastante. Outro problema é a construção dos parágrafos, que é bem fraquinha em alguns momentos, deixando tudo muito arrastado e cansativo.

Eu já falei dos vilões? Os vilões parecem muito assustadores para adolescentes e para as crianças - que na verdade são velhas - do livro, mas é só isso. Olhando com calma eles são deprimentes e só aparecem, de fato, muito tarde no livro. Até lá quase não existe conflito, o que torna o meio do livro uma chatice good vibes sem fim.

Ah, sim, eu esqueci de comentar que as crianças peculiares têm poderes, mas quase não são usados....

Resumindo, o livro surge com uma premissa boa, mas se arrasta em uma execução bem mais ou menos e chega em um final desanimador. Não recomendo.


18 comentários:

  1. Boa tarde, li esse livro bem antes do filme ser lançado e fiquei maluca com ele, é muito bom, mas acredita que ainda não vi e nem pretendo ver o filme?

    Beijos
    Minhas Inspirações por Sara Menezes

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  2. Oi!! Que pena não ter gostado, eu achei bem interessante a proposta. Concordo em partes com você, mas para uma primeira trilogia achei que foi bem. Bjos <3

    Click Literário

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  3. Oi! Que pena você não ter gostado do livro. Eu ainda tenho vontade de ler, mas confesso que saber desta questão dos longos capítulos já me deixa desanimada, pois com certeza atrapalha a fluidez.

    Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  4. Oi
    Eu li o livro e gostei bastante, achei genial, bem escrito, desenvolvido, fiquei confusa com algumas de suas pontuações, mas como sou uma pessoa leiga no assunto, então, não sei como debater. A única coisa que sei é que o livro é perfeitamente bem escrito.

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  5. Eu estou com esse livro aqui há meses mas ainda não tive tempo para ler. Acho a história muito intrigante e não vejo a hora de ter tempo para lê-lo. Gostei da sua resenha

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  6. Olá Renata! Sua resenha conseguiu traduzir direitinho o que eu senti ao ler esse livro! Claro, estava com uma expectativa altíssima, por conta do grande sucesso que essa obra fez, e me decepcionei também. É uma história muito boa para adolescentes, mas muitas questões não foram explicadas devidamente, o que me fez perder a vontade de ler os outros volumes da série.
    Beijinho
    EVENTUAL OBRA DE FICÇÃO

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  7. Eu vi o filme e gostei, porém o livro é mais rico em detalhes.

    bjokas =)

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  8. Sério que é tão cheio de problemas de narrativa?
    Eu não tive muita curiosidade para ler porque a capa original me dava medo, hahaha, aí a do filme me pareceu infantil demais.
    Complexo, né? :P
    Mas não é uma história que me chame tanto a atenção, apesar de que gostar de fantasia.
    E a personagem do título passa 332 páginas sem fazer nada? Oi?
    Hahaha.

    Beijooos

    www.casosacasoselivros.com
    www.livrosdateca.com

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  9. Olá Renata, eu li e gostei da proposta do livro, não é um livro que espera tanta ação, e entendi cada personalidade dos personagens do livro, o filme tbm gostei apesar de algumas alterações. Bjs

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  10. Olá!
    Tenho esse livro na estante, mas ainda não peguei pra leitura. Assisti o filme e gostei bastante e pretendo ler ainda esse ano.
    Fico animada quando vejo bons comentários sobre obras que ainda pretendo ler.
    Beijos!

    Camila de Moraes.

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  11. Oi, tudo bem?
    O enredo do livro me chama bastante atenção, mas essa questão dos capítulos muito longos me desanima bastante pois a leitura não flui pra mim nesses casos.
    Bjs

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  12. Olá Renata, tudo bem? Confesso que nunca li esse livro e não consigo me envolver nessa trama. Já li varias resenhas e apesar de a maioria delas ser positiva à obra não é uma leitura que me atrai, por isso vou deixar a dica passar.
    Beijos

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  13. Oi Renata, primeira resenha negativa que leio sobre o livro. Uma pena que você não tenha gostado. Eu não me empolguei a ler série e nem a ver o filme.
    Bjs, Rose.

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  14. Olá !!! Já li o livro e assistir o filme. Sou encantada por essa história. Ótima sua resenha. Com certeza, vale a pena ler e compartilhar, super bjooooo

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  15. Olá Renata, tudo bem?

    Então, eu só assisti ao filme e achei bem razoável para fraco, porém quero ler os livros, que normalmente são melhores que as películas, por isso, pretendo solicitar a Leya esses livros. É uma pena que não tenha gostado da obra!
    Bjuss

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  16. Olá, tudo bem?

    Essa é a primeira negativa que leio sobre o livro.
    Confesso que quando foi lançado estava com vontade de ler, mas com o tempo deixei de lado, também não assisti ao filme. Não sei, crio certa resistência com determinados livros quando ficam em evidência demais, ou os leio antes de virar um imenso "UAU", ou acabo deixando de ler ou protelando muito. Manias. rs

    Achei que você evidenciou bem os motivos que não te agradaram, não sabia que as crianças eram velhas (tomei essa - hahaha - mas tá ok). Enfim, é uma pena que a leitura não lhe agradou, eu acho que um dia assisto o filme,o livro, bem, continuo sem interesse. XD

    Beijo.

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  17. Logo que começou o lançamento do livro, fiquei bem curiosa em querer saber mais da história. Com o tempo aí ler as resenhas, sempre observava essa falta de ritmo ou de características demais e isso acabou me fazendo deixar a leitura de lado. No momento, não leria. É como se a obra não me chamasse a atenção suficiente.
    Bjim!
    Tammy

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  18. Está aí um livro e consequentemente os filmes e demais livros da série, que não tenho interesse em ler. Já vi muitas resenhas, muitos comentários positivos, mas não que cativou! Bom saber que não fui a unica a não apreciar! Adorei sua sinceridade!

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