Resenha: Caminho das Sombras - Anjos da Noite, Livro 1 de Brent Weeks

Sinopse: Para Durzo Blint, matar é uma arte... e ele é o artista mais talentoso da cidade. Temido por muitos, Durzo é uma lenda viva com as mãos manchadas de sangue e nenhuma culpa pelas vítimas que deixa pelo caminho. Esse mundo sombrio também não é novidade para o jovem Azoth. Sobrevivendo entre becos sujos, ele aprendeu que a esperança é uma piada. Pelas regras das guildas, crianças são agredidas e surradas todos os dias. Tentar contestar essa realidade seria um risco alto demais. Mas quando a morte se torna questão de tempo para ele e seus amigos, Azoth se vê forçado a vencer o medo e agarrar a chance de virar um derramador, um assassino. Ele precisa se tornar discípulo de Durzo Blint. Para ser aceito, o garoto abandona sua antiga vida e abraça uma nova identidade. Ao se tornar Kylar Stern, ele aprenderá a transitar no mundo dos nobres, sobreviver às magias de seus inimigos e cultivar uma amizade muito especial: a da escuridão.

Estou aqui, meio perdida por não saber como começar esta resenha. E muito ansiosa. Já reescrevi umas milhões de vezes mentalmente e duas escrevendo... São tantos adjetivos que este livro nos traz, que torna um pouco complicado escrever sem apresentar empolgação exagerada para os amantes do gênero literário.

Há diversas maneiras de explicar e contar a história, elaborada com maestria pelo autor, que não deixa espaço para você largar a leitura.Com vários personagens importantes descritos, bem desenvolvidos com uma complexidade individual de cada um, Brent Weeks nos faz navegar por um mundo surreal digno de um jogo de vídeo game em 3D.

Lendo assim parece difícil de entender as personagens e não querer ler o livro, para os que não são amantes de jogos de RPG. Pelo contrário, odiando vídeo games ou não, a leitura é agradável, com suspenses, aventuras e mudança de vida para nosso protagonista Azoth. A narrativa é suave e mesmo com tantas pessoas citadas, conseguimos acompanhar com tranquilidade a história de cada e seu envolvimento no enredo principal.

Calma que já entro na resenha propriamente dita. Um ponto de vista interessante ao ler o livro é coloca-lo bem dentro da situação social mundial, seja em qualquer país. Sendo assim, podemos situá-lo bem aqui no Brasil, que tem classes sociais cultural e economicamente diferentes, uma política repleta de traições para todos, com objetivo de benefícios próprios como enriquecimento e poder e, dentro disso, a nossa vida pessoal com amigos, inimigos declarados ou não e sempre aqueles que do nada querem te colocar em uma situação delicada e, claro: você é culpado sendo inocente. Quem te defenderá? Quem poderá melhorar a situação da sua cidade? Quem levará igualdade aos recintos mais pobres e esquecidos? Lembrando que no livro há magia e fantasia e criaturas estranhas.

Azoth, um garoto que via a morte nas Tocas, literalmente se espremia em lugares para conseguir moedas de cobre e vivia em uma guilda, a Dragão Negro, comandada por Ja'laliel e gerenciada por Rato, que cobrava taxas para permitir a moradia de qualquer um naquele lugar. Mesmo já tendo visto a morte de perto, nada o deixou com a alma gelada quando viu Durzo Blint em ação. 

Azoth contava com dois amigos nas Tocas, Jarl e a Menina-Boneca, a garota muda, mas bem esperta para interpretar seus pensamentos apenas mirando seu olhar e observando suas expressões.

"A morte não era algo raro nas Tocas, mas Azoth nunca tinha visto tantas pessoas morrerem com tamanha rapidez e facilidade."

E nessa vida triste de se esgueirar na lama para obter dinheiro e cuidar de seus amigos dividindo o único pão, que ele resolve se tornar discípulo de Durzo e se tornar um matador. Eis um problema, que não era nem juntar dinheiro para fugir dali ou encontrar Blint e, sim fazer Durzo Blint aceitá-lo como aluno. E não porque essa era uma missão complicada e exigia estar ingresso em algum lugar ou organização. Era simplesmente porque ele não aceitava discípulos.

Durzo Blint era o mais famoso e melhor derramador da região e, como diziam, "qualquer dúvida quanto a isso não durava muito."  Dentre seus elogios, os mais ouvidos eram poderoso, perigoso, confiante, destemido e fatal. Nosso amigo em questão (creia: é melhor tê-lo como amigo) pertencia aos Anjos da Noite e respondia a uma organização conhecida como Os Nove, situada em uma câmara subterrânea secreta, chefiada por Shinga e submissa às ordens de Sa'kagé.

Sa'Kagé já detinha o poder sobre as Tocas e queria governar todo reino de Cenária. O atual rei Davin estava à beira da morte e seu substituto era totalmente favorável às essas intenções. O objetivo de Durzo era garantir isso a qualquer custo. Se bem que a qualquer custo para o assassino não era complicado, era habitual. Mas uma dúvida perpassa pelo consciente de Durzo em determinada missão onde ouve as palavras de Regnus Gyre e, uma raiva desconhecida o abala e o faz lembrar de um outro rei a quem já servira. Um rei a quem respeitara e admirara.

                      "Quanto tempo eu não tenho esse tipo de dilema?"

Azoth em um encontro com Durzo nas Tocas, toma fôlego e o segue. Claro que é notado em determinado momento e, em uma coragem nada fácil além da espada afiada em sua garganta pede a ele que o treine, que faça dele um matador. E mais: aceitava fazer qualquer coisa. E Durzo pede a ele que faça algo que ele não conseguiria fazer: matar Rato e lhe levar a prova. E quando consegue tal trunfo, de ser seu discípulo, ele escuta as palavras que permanecerão em sua mente por um bom tempo: "Se me seguir agora pelos Anjos da Noite, você vai me pertencer. Ou você vira derramador ou morre."

E afinal o que era se tornar um derramador? Era aprender a arte de matar, de produzir corpos sem vida em todos seus aspectos, com todos os tipos de armas ou sem elas, conhecer todas as sementes, folhas, fungos, líquidos entre outras coisas e convertê-los em venenos de todos os tipos. E o mais importante, desenvolver seu talento, sua magia, e em especial o disfarce e o uso das sombras. Com treinamentos e estudos diários, sem mordomias, moldado fisicamente e mentalmente, Azoth recebe o nome de Kylar Stern.

Kylar passar a contar ao longo do tempo  com Mama K, a cortesã mais influente da cidade que o alfabetiza e, também com Lorde Gyre, uma personagem que cresce bastante e de maneira grandiosa ao longo da história, tornando-se o seu melhor amigo.      
                         
Além do enredo em torno de Azoth, agora Kylar, a narrativa nos apresenta Khalidor, um reino vizinho que ameaça tomar a cidade de Cenaria para poder ter acesso ao restante de Midcyru. Neste reino conhecemos o deus-rei Garoth Ursuul, ser ambicioso e que conta com vários bruxos ao seu lado.

Um ponto importante a ser citado é que os derramadores não se envolvem em política, de forma alguma. Seus trabalhos são provenientes de contratos firmados com dinheiro. E muito dinheiro. A guerra que surge deixa de ser travada somente nos campos de batalha e passa através da Corte Real com a participação desses assassinos , os Anjos da Noite.

Repleto de tramas e reviravoltas, a fantasia que envolve o Caminho das Sombras é trabalhada de maneira singular com a transformação de suas personagens em cada página lida. Amizade, amor, vingança e sacrifícios são presentes neste primeiro livro da trilogia Anjos da Noite de Brent Weeks, assim como alguns outros mais complexos: religião, preconceito, escravidão e traição.

O Caminho das Sombras nos faz percorrer uma estrada oculta dentro de nós mesmos, abrindo as portas do nosso lado sombrio. O lado negro de qualquer ser humano. E se minha ansiedade me  permitir, quero dormir (preciso) antes da chegada do volume dois, À Margem das Sombras e obter resposta à pergunta: seria  agora Midcyrua ou nova Westeros? 

E nada de comparar esta obra com Assassins Creed e nem com A Saga do Assassino. Passa bem longe dessa análise comparativa.

Leiam. É ótimo, empolgante e surpreendente. Já estou relendo *~*


*Livro cedido pela editora.

11 comentários:

  1. A M E I essa resenha!
    Se já estava curiosa antes, agora estou mil vezes mais. Amo esse tipo de narrativa, parece nos conquistar mais a cada página... Não vejo a hora de ler!

    Tea Desk

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  2. Que instigante a sinopse desse livro, parece interessante lendo a sua resenha, só que não sou muito desse estilo, que envolve mortes, etc.. então ainda não sei se gostaria..

    www.vivendosentimentos.com.br

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  3. Oi, Renata!
    Eu sou apaixonada por capas que tem pessoas encapuzadas. Dá um ar de mistério.
    Você já está relendo? Então a história deve ser boa mesmo.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  4. Oie, tudo bom? (novata aqui no blog o/)
    Eu já li algumas resenhas positivas sobre esse livro, acho a capa dele linda e tenho curiosidade em ler.
    Gostei muito da resenha!!

    Beijos,
    Juh (to seguindo o blog)
    http://umminutoumlivro.blogspot.com/

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  5. Faz tempo que quero ler esse livro e a cada resenha que leio tenho mais curiosidade. Quero MUITO ler ele mes que vem, vou ver se separo um espaço aqui na pilha de livros que preciso ler urgente hahahha
    http://b-uscandosonhos.blogspot.com.br/

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  6. Oi Renata!! Caramba, consegui pegar toda a sua empolgação com o enredo, e estou completamente louca para ler e entender ainda mais todos os sentimentos que foram expostos na resenha.
    Não sei quantas vidas terei de viver para ler todos os livros que desejo, mas esse será lido nesta com certeza. rs
    Beeijos
    http://lua-literaria.blogspot.com.br/

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  7. Olá, Renata.
    Eu estava na duvida quanto a ler esse livro. Mas pelo o que você falou na resenha é exatamente o tipo de livro que vai me agradar. E achei super interessante essa sua comparação com o nosso pais. Vou colocar na lista de desejados.

    Blog Prefácio

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  8. Oi Renata!

    Eu não li ainda o livro, mas sempre leio resenhas positivas, assim como a sua. Parece que a trama é realmente incrível, gosto de reviravoltas nas histórias rsrsrss

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  9. Oi! Eu estava querendo saber mais sobre a obra e a sua resenha super completa me ajudou muito. Acredito que seja uma ótima história.

    Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  10. Sua resenha foi perfeita! Adoro resenhas de livros que contam bastante detalhes sem dar spoilers, sabe? *-*

    Cá entre nós, miga!

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  11. Oi Renata!
    Pelo jeito você gostou mesmo do livro, está até relendo!!!
    Eu gosto de videogame, então acho que vou gostar.

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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