Virou filme: O mágico de Oz - L. Frank Baum

O mágico de Oz é um dos meus filmes preferidos. Mas, apesar de já ter visto a adaptação inúmeras vezes, ainda não tinha lido o livro. No feriadão passado, porém, resolvi ficar em dia com L. Frank Baum

Com meu livro em mãos, fui para o Kansas, onde conheci a órfã Dorothy, seus tios Henry e Em e seu amado cachorrinho Totó. Era apenas mais um dia cinza na pradaria onde se localizava a fazenda da família, mas um ciclone chegou para mudar tudo. Os tios conseguiram fugir para o abrigo, mas Dorothy e Totó foram levados pelos ares, com casa e tudo. Horas se passaram até a casa finalmente aterrizar em algum lugar, ou melhor, em alguém. 

Primeiro, a beleza do lugar chamou a atenção da menina. Cores, muitas cores por todos os lados. Árvores, flores, frutos e aves compunham agora os arredores da pequena casa. Foi a Bruxa do Norte, uma bruxa boa, que tratou de explicar para Dorothy que ela estava no País dos Munchkins, um povo que por anos foi escravizado pela Bruxa do Leste, uma bruxa muito má. E completou a explicação com um agradecimento por ter finalmente livrado o povo da escravidão ao matar a tal bruxa. Foi só aí que a menina viu, bem embaixo de sua casa, os pés que calçavam um par de sapatos de prata.

Um dos Munchkins contou que o sapatinho tinha poderes mágicos, a Bruxa do Norte disse que Dorothy podia ficar com ele, mas o que a menina queria mesmo era voltar para casa. A solução apresentada, então, foi que ela procurasse Oz na Cidade das Esmeraldas. Seguindo sempre pela estrada de tijolos amarelos, Dorothy vai em busca do mágico. No caminho, encontra personagens que serão seus companheiros de viagem: o Espantalho que queria um cérebro, o Lenhador de Lata que desejava um coração e o Leão, que adoraria ter coragem. 

A partir daí o livro se enche de aventuras, perigos e seres fantásticos. A descrição dos lugares pelos quais o grupo passa ao longo de sua jornada é rica em detalhes. Todos os personagens são também muito bem construídos e possuem características marcantes. Se apegar a um (ou a todos) é muito fácil! 

Dorothy, apesar de ser criança, é muito inteligente e decidida. Mesmo em uma terra desconhecida e muitas vezes assustadora, ela consegue ser forte. Isso se deve, em parte, aos seus inusitados companheiros de viagem, que acabam se tornando seus amigos. É bonito ver como eles se preocupam uns com os outros, como se cuidam e até se arriscam quando algum deles precisa de ajuda.

Apesar de ter sido escrito para crianças, o livro é capaz de agradar a leitores de todas as idades. São muitas as teorias sobre a história e  as explicações sobre o que Baum queria dizer com ela, e tudo isso pode ser encontrado em edições comentadas ou mesmo na internet. Mas a lição mais óbvia e simples é para mim a mais bonita: tudo o que precisamos e que às vezes buscamos em outros lugares já está dentro de nós, só precisamos saber olhar com mais cuidado.

Publicado em 1900, o livro já teve várias adaptações. A mais conhecida delas é a de 1939, com Judy Garland no papel de Dorothy. Recheado de momentos musicais, o filme transmite toda a magia e o encanto presentes no livro.

A adaptação explora um pouco mais a vida de Dorothy antes do ciclone. Personagens são inseridos aqui, mas não por acaso. Eles terão papel fundamental em Oz e no entendimento do desfecho escolhido para o filme. Esse início ampliado nos mostra também um certo descontentamento de Dorothy com a vida que levava no Kansas, fazendo com que a lição que aprende ao final tenha ainda mais peso.



Se na história escrita Baum nos diz que ao redor de Dorothy tudo é cinza, o filme nos mostra: em seu início, as cenas são filmadas em tons de sépia. Mas ao chegar à Terra de Oz, assim como a menina no livro, somos surpreendidos por uma explosão de cores. Depois de quase vinte minutos num mundo sem cor, é impossível não se maravilhar com o contraste repentino. 

O filme não é totalmente fiel ao livro, há mudanças aqui e ali. Na adaptação, a Bruxa Má do Oeste está presente desde o início, dificultando a chegada de Dorothy e seus amigos até a Cidade das Esmeraldas, enquanto no livro ela só aparecerá mais adiante. Os sapatos de prata passaram a ser de rubi para aproveitar o Technicolor, e é assim que eles são lembrados pela maioria das pessoas. Algumas partes que podem ser consideradas mais violentas, como animais sendo decepados, ficaram fora do filme. Independente das mudanças feitas, a essência da história e as lições que pretende passar permanecem, isso é o mais importante. 

Leiam! Assistam! Oz é um lugar para ser visitado e revisitado. Mas lembrem-se: não há lugar melhor que o nosso lar.


10 comentários:

  1. Carlinha, que post lindo! Eu fui lendo a parte que vc fala do livro e me senti uma criança ouvindo alguém me contar uma história. Amei! O Mágico de Oz é mesmo muito especial, eu também sou apaixonada pelo filme, chego até a gostar mais dele do que do livro. Como vc bem colocou, as mudanças não afetam a ideia central da história. Deu vontade de assistir pela milésima vez. Obrigada por esse post mágico!

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  2. É exatamente isso, uma explosão de cores!!! Amo o filme, amo as músicas!!! Meu sonho é ter a coleção completa dos livros. Sobre a violência, bem lembrado. E o curioso é que na edição comentada da Zahar fala que ele escreveu querendo fazer diferente dos contos que eram cheio de violência. Vai entender não é?!?

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  3. Oi Carla!
    Eu também amo o Mágico de Oz, mas nunca li o livro. Preciso mudar isso urgente, eu sei. Acho a história magnífica, cheia de metáforas que nos fazem refletir. Ouvi dizer mesmo sobre as diferenças entre o livro e o filme, mas assim como você, acredito que elas não mudem o objetivo da história.

    Beijos
    http://aquelaborralheira.com.br/

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  4. Oi Carla! Eu só assisti esta adaptação, mas eu amei. A história é muito linda e encantadora, por mais antiga que seja sempre vai conquistar as pessoas.

    Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  5. Pense em um livro com uma capa maravilhosa! Já assisti ao filme, mas nunca li o livro, acredita?? hahahaha Mas tenho muita vontade de ler e pretendo lê-lo esse ano!
    Beijos,
    Luana Agra - http://sector-12.blogspot.com.br/

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  6. Que bacana, eu nunca vi o livro pelas livrarias daqui! :(
    Sou apaixonada por Oz! *-*

    Beijão, Cá entre nós, miga!

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  7. Oi Carla!
    Não li o livro e (pasme!) não assisti o filme também. Sei que preciso corrigir isso em algum momento e provavelmente será pelo filme. Acredito mesmo que deve haver diferenças entre as versões, mas esse é um daqueles casos em que o filme se torna maior que o livro, né? O importante é que a essência foi preservada.
    Beijos,
    alemdacontracapa.blogspot.com

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  8. Oiii, Carla tu arrasou nessa postagem. Confesso que nunca parei para saber sobre (pasme)a história. É tanto que nunca vi o filme e muito menos li o livro. Espero que isso possa ser resolvido logo, amei saber das diferenças e principalmente, amei conhecer a história da Dorothy.

    beijos
    http://ventoliterario.blogspot.com.br

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  9. Oi, Carla!
    Eu amo esse livro e sou fã dessa adaptação também!
    Acho que ainda esse ano eu devo reler (é o tipo de livro
    que me traz uma nostalgia tão boa...) :)

    Adorei a resenha!

    Beijos,
    Sala de Leitura

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  10. Oi, Carla!
    Acredita que nunca assisti a adaptação? Eu só fico enrolando hahahah
    Gostei muito da sua resenha. Percebe-se que você realmente gostou do livro.
    Beijos
    Balaio de Babados

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