Resenha: Um menino em um milhão - Monica Wood

Sinopse: Quinn Porter é um guitarrista de meia-idade que nunca conseguiu deslanchar na carreira. Enquanto aguardava sua grande chance na música, foi um marido e pai ausente, e jamais conseguiu estabelecer um vínculo afetivo com o filho, uma criança obcecada pelo Livro dos Recordes e algumas peculiares coleções. Quando o menino morre inesperadamente, alguém precisa substituí-lo em sua tarefa de escoteiro: as visitas semanais à astuta Ona Vitkus, uma centenária imigrante lituana. Quinn assume então o compromisso do filho durante os sete sábados seguintes e tenta ajudar Ona a obter o recorde de Motorista Habilitada Mais Velha. Através do convívio com a idosa, ele descobre aos poucos o filho que nunca conheceu, um menino generoso, sempre disposto a escutar e transformar a vida da sua inusitada amiga. Juntos, os dois encontrarão na amizade uma nova razão para viver. Um Menino em Um Milhão é um livro sensível, poético e bem-humorado, formado por corações partidos e aparentemente sem cura, mas unidos por um elo de impressionante devoção pessoal.

Ona Viktus é uma imigrante lituana. Aos 104 anos, acredita já ter vivido tudo o que uma pessoa pode viver durante sua passagem por este mundo: viu guerras, se casou, trabalhou, teve filhos. A idade avançada também fez com que presenciasse a partida de muitas pessoas queridas. E é nessa posição de quem nada mais espera que ela é surpreendida.

Jovens escoteiros ajudavam a idosa com as tarefas de sua casa, como limpar o quintal e alimentar os pássaros. Alguns passaram por sua vida, mas apenas o menino foi capaz de despertar sua simpatia, seu carinho e sua amizade. O garoto de 11 anos, magricela, obcecado pelo Livro dos Recordes e colecionador de objetos (sempre 10 de cada) foi capaz de trazer objetivos para o futuro para uma vida já tão cheia de passado. 

A ligação entre o menino e a senhora foi tão verdadeira que ela pouco se incomodava em contar detalhes de sua vida enquanto ele gravava tudo com um pequeno gravador. A tarefa escolar de contar a história de uma pessoa idosa preencheu os encontros dos dois e aproximou ainda mais a improvável dupla de amigos. Quanto mais tomava conhecimento da vida de Ona, mais empolgado o menino ficava. Não demorou muito para ele definir uma meta: sua amiga entraria para o Livro dos Recordes como a Motorista Habilitada Mais velha. Os dois se divertiam acompanhando os concorrentes e estudando para a prova de direção.

Mas um dia o menino não apareceu. Em seu lugar, um homem: Quinn Porter, um guitarrista que nunca deu muito certo, pai do menino e duas vezes separado de sua mãe. O pior havia acontecido, de forma inesperada. Ele pouco conhecia o filho, mas agora estava ali para terminar a missão dele como escoteiro durante os sete sábados que ainda restavam. Foi a promessa que fez para sua ex-eposa, Belle. Ele, que já tinha se ausentado tanto e participado tão pouco da vida do menino, não podia negar essa tarefa. Ona, que já havia perdido tanta coisa e tanta gente, inicialmente desconta em Quinn a frustração por ter que viver mais um luto. 

No decorrer da trama, vemos Belle lidando com a dolorosa e irreparável perda de seu único filho, Ona tentando dar continuidade aos planos feitos com o menino e Quinn, finalmente, conhecendo seu filho. 

A autora não deu um nome para o menino e deu poucas falas para ele. Durante as entrevistas feitas com Ona, inferimos suas perguntas pelas respostas que a senhora dá, pois elas também não estão lá. Ainda que com pouca presença concreta, o menino faz parte das páginas do início ao fim. Sua breve vida, como um fio invisível, ligou outras três e foi responsável por importantes mudanças e aprendizados em todas elas.

Narrado em terceira pessoa, Um menino em um milhão aborda diferentes formas de vivenciar o luto, as relações familiares, os laços que construímos ao longo da vida e a importância da amizade. Apesar da premissa emocionante e bonita, não é o tipo de livro que leva lágrimas aos olhos dos leitores. Terminei a leitura com a sensação de que, nessa história específica, me conectaria mais aos personagens se a narrativa fosse em primeira pessoa.

Monica Wood entrega ao leitor uma trama que provoca importantes questionamentos: você tem parado para ouvir? Você conhece bem aqueles a quem ama? Tem estado verdadeiramente presente na vida deles? Quinn, Belle e Ona aprenderam a importância dessas três coisas.


*Exemplar cedido pela editora.

Resenha: O Espelho do Monge #2 - A Perseguição - Rosana Dias Vitachi

Sinopse: Toda descoberta tem suas consequências. Depois de sua primeira missão vitoriosa em O Espelho do Monge, Safia pensa ter concluído o que estava apenas começando. Artur também não imagina o quanto está envolvido e até onde é capaz de ir. Duas vidas se unem em um propósito nobre, numa viagem única e num mesmo combate. Sim, há um motivo e um sentido para tudo o que acontece e, descobrir isso o quanto antes, se torna uma questão de vida ou morte! Não, o Espelho do Monge ainda não foi recolhido.


Abra a sua mente e sua imaginação para um romance misto com mistério, e prepare-se para atravessar o espelho de sua alma e se deparar com conflitos e emoções que você nunca imaginaria que teria.  

É assim que Arthur e Safia vão se sentir após um reencontro com muito amor. Arthur, que trabalha em uma pequena empresa de viagens, tem seu momento com o anjo Seth, que lhe entrega o espelho do monge para sua própria viagem. Arthur volta sabendo o que deve fazer e, além disso, há uma outra missão para ele e Safia. 

Em um jantar, Arthur conta para Safia as impressões de sua viagem no Espelho do Monge, além de declarar para ela seu amor. Mas ele tem um segredo, o qual conta parte dele para Safia, sobre um antigo relacionamento com Diana há anos atras.

"... É que você faz parte das melhores coisas que descobri em mim - revela sem o menos constrangimento. ...    - Que significa isso Arthur? ...    - Que eu te amo, Safia. E precisava assumir isso... pra você também."
Arthur e Safia começam a namorar sério e conversar sobre o porquê o Espelho continuava ali entre eles. Quais perigos os envolveriam dessa vez? Perigos materiais? Ou aventuras em lugares desconhecidos? Ou em um lugar bem conhecido, mas pouco frequentado?

Há sempre uma tensão envolvendo o casal, e para complicar ainda mais, eis que surge Diana, de volta a cidade disposta a reconquistar Arthur. Este, ao vê-la na agância em que trabalha, fica paralisado e com muitas reações estranhas e não compartilha com Safia seus medos e apreensões. Pois Diana provoca em Arthur reações que ele não gosta e não se sente bem a respeito. 

A trama então começa e nos envolve perfeitamente em cada linha escrita e nos vemos dentro do próprio espelho, nos faz travar uma guerra interna. Junto com Arthur e Safia vamos observando que as tempestades diárias que travamos diferem nos objetivos, mas as decisões são baseadas em nossa moral: ou tomamos atitudes que nos renovam ou nos deixamos levar pela indecisão com consequências que podem nos ajudar ou postergar a vitória.

As tramas dessa trilogia sempre envolvem decisões que todos temos diariamente. Sentimentos que se misturam e não conseguimos expressar por medo, então criamos algo que não existe. O que vai gerando mais angústia em nossos coração.

O Espelho do Monge nos mostra o que escondemos e o sentimento mais íntimo, e isso pode ser usado para o bem ou para o mal. Pessoas podem manipular outras simplesmente pelo fato de saberem seus conflitos mais secretos e, mesmo que inocentes, podem ser alterados para algo pernicioso. E é nessa emoção constante que acompanhamos Arthur e Safia e junto a eles sentimos, choramos, torcemos, rimos  a cada atitude tomada. E nem sempre as atitudes deles vão de encontro com as nossas, nos fazendo refletir sobre a nossa própria vida, nosso próprio reflexo no Espelho.


“Só buscar facilidades gera covardes, enquanto enfrentar as dificuldades e aceitar os desafios, geram valentes!"


Logo, abra sua mente e coração e embarque na aventura.




*Livro cedido pela autora.

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