23 de agosto de 2016

Resenha: Delta: um comando para o tempo - Ana Cristina Melo

Sinopse: Alex está trabalhando há 72 horas, quando é surpreendido por um convite para entrar num bate-papo virtual. Do outro lado, Sarah se diz presa e pede ajuda. O que poderia, num primeiro momento, soar perigoso, torna-se inacreditável, quando, após algumas mensagens, eles concluem que ela está falando do futuro, por meio de uma janela do tempo.

A história de Sarah começa difícil. Ainda bebê, foi abandonada pela mãe biológica na porta da casa de uma vizinha. Aos 60 anos, Julieta acabou se tornando uma mãe-avó e deu para aquela menininha tudo o que gostaria de ter dado para os filhos que nunca teve. Sarah cresceu amada, cheia de grandes planos e recebendo todo o apoio de Julieta. A menina, que gostava de inglês e de computadores desde cedo, tinha como maior objetivo estudar em Stanford, nos Estados Unidos. Plano feito, plano realizado. 

Durante o intercâmbio de um ano, se dedicou ao máximo para ser aceita na Universidade. Durante os anos da graduação, suas horas eram todas dedicadas aos estudos, sem muito espaço para diversão ou romances. Lá conheceu Jeromy Brown, um famoso cientista que comandava um sigiloso projeto chamado Delta. Quando passou a integrar a equipe, Sarah não imaginava o que viria depois. Uma fatalidade acontece e ela retorna ao Brasil depois de anos morando fora.

Seu caminho se cruza com o de Alex na madrugada do dia 18 de novembro. Ela, presa em um lugar que não conhece. Ele, trabalhando sem descanso em pleno final de semana. Ela, em 2013. Ele, em 2012. É claro que quando a janela de chat surgiu do nada em seu computador com uma estranha afirmando estar falando do futuro, Alex achou que era tudo fruto do cansaço, que ele estava sendo vítima de uma piada ou mesmo de um hacker, nunca que fosse verdade. 

Mas Sarah tem como provar o que diz e se esforça para que Alex acredite nela, afinal, ela corre perigo e teme também pela vida de Julieta. A partir daí, Alex inicia uma corrida contra o tempo para desvendar os mistérios envolvendo o projeto Delta e para tentar impedir que o sequestro de Sarah ocorra. Apaixonado desde que falou com ela por meio daquela janela do tempo, precisa calcular bem cada atitude para que suas ações com a Sarah do passado não tenham consequências negativas para a Sara do futuro.

A narração é feita na maior parte do tempo em terceira pessoa. No início do livro, a autora lança mão de recursos como matérias de jornal para contar um pouco do passado dos personagens, do início do Projeto Delta e até mesmo da evolução da informática. Foi ótimo para fornecer informações importantes de forma diferente e contextualizar o leitor sem se prender a descrições exaustivas. O livro conta ainda com passagens do diário de Sarah e trocas de e-mails, tornando a narrativa ainda mais dinâmica e variada.

Por não ser cronologicamente linear, Delta: um comando para o tempo, mantém o mistério por mais tempo, apesar do desfecho não ter sido uma grande surpresa para mim. O texto vai seguindo em uma direção e, de repente, no capítulo seguinte se volta a algum acontecimento do passado. Mas não é à toa, existem detalhes importantes por lá. Todo esse passeio pelo tempo é devidamente separado em capítulos, portanto a leitura não é confusa em nenhum momento.

Histórias de viagem no tempo não são novidade, mas Ana Cristina Melo construiu um enredo que agrada e prende. Não encontrei furos, que são sempre um risco em tramas assim, as pontas são todas amarradas. Conforme o livro vai se aproximando do fim, o próprio leitor consegue ir encaixando as peças e obtendo as respostas.

A preocupação de Alex com o que seu envolvimento com Sarah pode causar no futuro, faz com que o romance aconteça devagar. Se isso causa angústia na moça, o efeito em quem lê é de uma história de amor mais crível, que acontece e cresce aos poucos. A lição que fica é a de que para o amor não existem barreiras, nem mesmo a do tempo. 

15 de agosto de 2016

Resenha: Filha da Floresta (Sevenwaters #1) - Juliet Marillier

Sinopse: O domínio de Sevenwaters é um lugar remoto, estranho, guardado e preservado por homens silenciosos e criaturas encantadas, além dos sábios druidas, que deslizam pelos bosques vestidos com seus longos mantos... Passada no crepúsculo celta da velha Irlanda, quando o mito era lei e a magia uma força da natureza, esta é a história de Sorcha, a sétima filha de um sétimo filho, o soturno Lorde Colum, e dos seus seis amados irmãos, vítimas de uma terrível maldição que somente Sorcha é capaz de quebrar. Em sua difícil tarefa, imposta pelos Seres da Floresta, a jovem se vê dividida entre o dever, que significa a quebra do encantamento que aprisiona seus irmãos, e um amor cada vez mais forte, e proibido, pelo guerreiro que lhe prometeu proteção.

Sevenwaters é um lugar mágico. Apesar das constantes brigas por territórios e das mortes que elas causam, esse cantinho da Irlanda abriga Seres da Floresta e um povo que tem uma relação de respeito com a natureza que o cerca. Lá vivem Lorde Colum e seus filhos. Sorcha é a caçula, a sétima filha de um sétimo filho, o que pelos lados de lá possui um significado especial. 

Por terem crescido sem a mãe, que morreu quando Sorcha nasceu, e com um pai ausente e ocupado com a segurança deles e a defesa de seu povo e território, os irmãos desenvolveram uma forte ligação entre si. A caçula é a única menina e, apesar de forte e corajosa, sempre foi muito protegida e cuidada por seus seis irmãos mais velhos. 

A narração fica por conta de Sorcha, que descreve os dias passados ao lado dos irmãos, as aventuras vividas e a liberdade que eles experimentavam. Mas a chegada inesperada de uma mulher muda tudo. Após anos de viuvez, Lorde Colum resolve se casar novamente. A escolhida é Lady Oonagh, que age com doçura na frente do futuro marido, mas não consegue ganhar a confiança dos irmãos. Coisas estranhas começam a acontecer, e apesar dos filhos tentarem alertá-lo, o pai parece completamente enfeitiçado pela mulher.

Até que o pior acontece: Lady Oonagh lança uma maldição terrível sobre os irmãos, apenas Sorcha consegue escapar e agora carrega a responsabilidade de quebrar a maldição e livrar os irmãos do triste destino imposto a eles. Sozinha, longe de casa e desprotegida, a menina terá que seguir regras muito difíceis e dolorosas. O sacrifício é diário, sofrido e dura muito tempo. Ao longo de sua jornada, Sorcha conhece um improvável protetor, alguém que pertence a um povo inimigo do seu. E chegará o momento em que precisará fazer uma escolha.

Sorcha é uma personagem incrível! Começa o livro como uma menina prestes a fazer 13 anos, acostumada a andar sem sapatos e totalmente voltada para suas habilidades de curandeira. Ela já se mostrava forte e decidida, mas as situações pelas quais é obrigada a passar nos fazem ver que aquela força era só uma amostra do que ela é verdadeiramente capaz. O amor entre os irmãos é uma das coisas mais bonitas do livro e fica claro em cada atitude e em cada fala e ainda mais na dedicação exaustiva de Sorcha para dar fim à maldição. 

A construção da personalidade dos personagens é um dos pontos fortes do livro. Apesar de serem muitos, cada um tem uma característica marcante e após algumas páginas já estamos familiarizados com todos eles. Outra coisa a ser destacada é que, embora seja um livro bem grande, Juliet Marillier conduz a trama de maneira que em nenhum momento a história fique arrastada. Momentos importantes, decisivos e de ação acontecem o tempo todo, deixando o leitor o tempo todo atento.

O romance não é o foco do livro, assim como não o é para Sorcha. Tudo o que ela quer é terminar sua difícil tarefa, reunir seus irmãos e voltar para casa. Mesmo quando o amor está perto, não é notado. Mas quando finalmente ganha espaço, é arrebatador.

O livro tem passagens mais pesadas e momentos tocantes, faz o coração apertar uma hora e sentir alívio em outra. As tradições e os detalhes da cultura foram cuidadosamente inseridos, transportando o leitor para um lugar diferente em uma época diferente. Fiquei completamente imersa e envolvida com a história que estava sendo contada como há algum tempo não ficava. A autora deu um desfecho para a situação principal do livro, mas tocou em vários outros aspectos que com certeza ainda serão trabalhados. Terminei a leitura já curiosa pelo que vem pela frente nos volumes seguintes.

Filha da floresta foi uma linda surpresa para mim. Fazia tempo que não lia algo nesse estilo, apesar de gostar, e meu reencontro com essa espécie de "fantasia histórica" foi muito feliz. 

12 de agosto de 2016

Parceria: Camila Pelegrini

Olá, pessoal!
Hoje é dia de anunciar parceria nova aqui no blog. Há pouco tempo li uma resenha de Aos olhos de Zoe e fiquei encantada pela história. Então, quando soube que a Camila Pelegrini estava com inscrições abertas para parceria nem pensei duas vezes. Fiquei muito feliz por ter passado, e em breve vou poder dividir com vocês as minhas impressões de uma história contada pelo olhar de uma cachorrinha muito especial! 


            A autora:

Com um sonho na cabeça, uma caneta na mão e alguns cachorros nos pés, Camila Pelegrini (23 anos), estudante de direito e professora de inglês, descobriu-se também escritora. A jovem autora de Sombras do Medo acredita que livros possuem mais força do que todos os X-MEN reunidos, e por isso, une em suas obras as suas maiores paixões: literatura, animais, mistério e a esperança de um mundo melhor.



                                                                                       O livro:


O que você acha que seu cachorro diria sobre a sua vida? Como ele contaria sua história? Bem, a sua eu não sei, mas a de Melissa, Zoe revelou perfeitamente. Após ser resgatada da rua, a cachorrinha mais sábia de todos os tempos acompanha a trajetória de sua nova família, relatando a história do fim de um amor e do começo de outro, apontando suas dúvidas sobre os erros humanos e fazendo das menores coisas do dia a dia a sua felicidade infinita. É mais do que um romance. É um ensaio sobre a amizade, a fidelidade e o amor em sua forma mais pura. É Zoe salvando aqueles que um dia a resgataram. Seja bem vindo à história de uma vida retratada "Aos olhos de Zoe".