Resenha: Alina - Emilia Lima

Sinopse: Ambientada na Bahia século XVI, com passagens em Lisboa, Alina conta a história da família Cirilo, que veio de Portugal com o intuito de ajudar na colonização do Brasil. Alina Cirilo amou o jovem advogado Pedro Garcia desde a primeira vez que o viu – um grande amor, porém, proibido. Apaixonada por Pedro, com quem havia se deitado, ela é enviada pelo pai para longe, mas já levava a semente dele dentro de si. Sem escolha, longe de casa, vivendo em meio aos índios, ela conhece Naru, um mestiço com modos de fidalgo. Sozinha, carente, ela deixa-se conquistar pelo jovem belo e doce mestiço, embora nunca tenha esquecido Pedro. Amor, laços familiares, renúncias, traições e reencontros surpreendentes. 

Estamos no final do século XVI. O Brasil é colonizado por Portugal, tem Salvador como capital e o cultivo de cana-de-açúcar como elemento central de sua economia. É nesse contexto histórico que a família Cirilo Lima, à convite de Filipe I, deixa para trás as terras portuguesas para viver aqui e ajudar na colonização.

Luiz Felipe Cirilo Lima era um importante fidalgo em sua terra, posição que manteve ao se mudar para a Colônia com a esposa e os cinco filhos. A família possuía uma fazenda em rápido crescimento a oitenta quilômetros ao sul de São Salvador e um casarão de frente para o mar na cidade. Este último era usado principalmente por Luiz Felipe Cirilo Segundo, filho mais velho e formado em Direito, e Alina, a caçula da família.

Enquanto as irmãs casavam e davam início às suas famílias, Alina tinha outro tipo de preocupação. Chegou ao Brasil muito nova, aos 12 anos, mas a pouca idade não impediu que se indignasse e lutasse pelas causas dos negros e dos índios, assim como seu irmão mais velho.

Mas nem só de lutas pelos desfavorecidos vivia nossa protagonista. Entre uma causa e outra conheceu Pedro Henrique, também imigrante português, advogado e amigo pessoal de seu irmão. Apesar da diferença de idade, ele tinha então 24 anos, a menina se encantou por ele desde o primeiro momento. Diz-se que o encantamento foi recíproco. Pedro já era casado e tinha dois filhos pequenos, por isso ambos mantiveram em segredo o que sentiam e conviveram apenas como amigos. Mas amor quando é de verdade não aceita ficar escondido para sempre...

Aos 17 anos, ainda apaixonada, Alina decide se afastar e passar uma temporada longe de casa e dos rumores que começaram a surgir devido à sua proximidade com o amigo casado. Em sua noite de despedida, os dois acabam se rendendo aos desejos, apressando ainda mais a partida de Alina, que na manhã seguinte segue para a casa da irmã. Novos acontecimentos complicam ainda mais sua vida, e ela acaba fugindo para mais longe, sendo acolhida por Ana, uma índia idosa e muito sábia, em sua tribo. Lá conhece Naru, um mestiço disposto a fazer tudo por ela.

A história de Alina é contada em terceira pessoa. Apesar dos poucos diálogos, a autora conseguiu mostrar de forma satisfatória a perspectiva dos personagens, tornando possível que o leitor se envolvesse com eles e tomasse conhecimento de seus pensamentos e emoções. 

Alina é uma jovem à frente de seu tempo, livre e determinada. Apesar de sua paixão, age de forma madura e racional durante a maior parte do tempo. Naru surge na trama mostrando um amor genuíno e altruísta, algumas das passagens mais bonitas do livro foram protagonizadas  por ele. Pedro Henrique não me convenceu muito. Apesar de entender sua delicada situação na época, acredito que faltou atitude da parte dele. Que fique aqui registrado que sou #teamNaru! :P

A escrita de Emilia Lima é envolvente e fluida e a linguagem é simples e acessível. É o tipo de livro capaz de agradar diferentes faixas etárias, pois ao mesmo tempo em que trata de questões adultas e sérias, não se aprofunda nelas de uma forma que tornaria a trama pesada. Em nota, a autora informa que o livro já foi usado como paradidático em algumas escolas. De fato, durante a leitura, senti o frescor das histórias que li nessa época da vida.

A capa talvez passe a impressão de que se trata de mais um romance de época desses que andam em alta há algum tempo, mas não é bem assim. Grandes bailes, temporada social e jovens sonhando com casamento não têm espaço. Em Alina somos levados para o início de nossa História, para as grandes fazendas e seus escravos, para as florestas e seus índios. Elementos históricos são inseridos de forma natural no enredo, e a experiência de ler um romance que contém fatos antes lidos apenas em livros de História foi bem positiva (notas de rodapé dão aquela ajuda, caso você já tenha esquecido de algumas coisas).

Mais do que um romance, Alina é um livro que fala de laços familiares, de perdão, da importância de nossas escolhas e decisões e da força que tem o amor em suas mais diferentes formas.


*Exemplar cedido pela editora.

7 comentários:

  1. Oi, Carla!
    Gente, o cara tem o nome do meu irmão, Pedro Henrique hahaahhahah
    Gostei de ver que esse romance é ambientado no Brasil. Dá uma outra perspectiva.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Sorteio Três Anos de A Colecionadora de Histórias

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  2. Oi, vou gostar de ler esse livro, gosto de descobrir cada vez mais e principalmente quando tem haver com os estudos.
    A resenha saiu ótima, e a capa do livro é linda ❤
    Beijos ❤
    Jardim de Palavras

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  3. Oioi

    Eu não sou tão fã de romances de épocas, talvez eu dê chance para os da Julia Quinn mas nem é certeza!
    Adorei a resenha e o livro parece ser ótimo pra quem gosta do gênero!

    Beijão,
    www.cretinaliteraria.com

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  4. Oi, Carlinha

    Eu nunca li um RE ambientado no Brasil e estou com vontade de fazer isso. Já li algumas resenha deste livro em questão e acho a proposta da história super interessante, ainda mais por abordar nossa história! Fiquei bastante interessada e leria com certeza!

    Beijos
    - Tami
    http://www.meuepilogo.com

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  5. Oi Carla, ainda não conhecia esse livro, parece ser bem bacana!!
    Blog Entrelinhas

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  6. Oi
    me interesse por esse livro, um romance de época Nacional e original que foge dos clichês (eu adoro), mas é bom fugir deles de vez em quando e que bom que gostou da leitura.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

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  7. Oi Carla!
    Muito legal ter sido usado como livro paradidático, tem toda a cara msm!
    Não sei se leria no momento pois não estou nessa vibe da romances mais históricos, mas a proposta é boa!
    Bjs
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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